Coluna Silvério: Pornografia Emocional

By Fashion Revolution Brazil

1 month ago

pelo nosso colunista, Rafael Silvério*

Miriam Greenspan, psicoterapeuta e autora de Healing Through the Dark Emotions (A cura através das emoções obscuras), foi entrevistada pela terapeuta junguiana Bárbara Platek na The Sun Magazine, que fala sobre entorpecimento de sentimentos:

“Mas, apesar do medo, há em nós algo que quer sentir todas essas energias emocionais, porque elas são a seiva da vida. Quando reprimimos e diminuímos nossas emoções, sentimo-nos privados de algo. Por isso assistimos a filmes de terror ou a reality shows.

Buscamos a intensidade porque, quando ficamos emocionalmente entorpecidos, precisamos de muito estímulo para sentir alguma coisa, qualquer coisa. Por isso, a pornografia emocional proporciona o estímulo, mas trata-se apenas de uma emoção falsificada – não nos ensina nada sobre nós mesmos nem sobre o mundo.”

                                             Imagem referencial / Crédito: Photo by 卡晨 on Unsplash.

A Moda reproduz cultura, um tipo de entretenimento aos entorpecidos que garante a prolongação das falácias, ajudando a arquitetar e fortalecer arquétipos que estamos ávidos pela deterioração.

Ainda pautada sobre um modelo que visa primordialmente o capital como principal fonte de recursos,  insiste na supremacia da influência,  criando comportamentos  agressões (micros , mini, médios, grandes e irreparáveis) em todos os níveis na jornada de trabalho, tratamento valorização e pertencimento dos que são encantados pelas falsas emoções. 

Muito se fala de saúde mental, e nos últimos tempos vejo que ela é arbitrária a fim de justificar qualquer outro tipo de indisposição egóica que desatrela a responsabilidade ou querer do indivíduo para uma função. 

A desinformação sobre assunto presta um desfavor aos verdadeiros afetados a essas questões, porém aqui cabe uma questão peculiar, quem são os verdadeiros afetados? 

Caso olharmos com uma lupa sobre a estrutura em que a Moda se constituiu e a volatilidade que ela se atrela a outras áreas culturais ela impacta no  ambiente abrangente para proliferação de doenças mentais serem manifestadas, otimizadas ou mesmo criadas pelo seu funcionamento. 

Com o recente crescimento  assustador das mídias sociais, e das manobras das empresas para aumento de tempo nas plataformas e engajamento o tempo, muito otimizado pela startups de tecnologia que explodiram o Vale do Silício nos anos 2000,  restando os valores sucesso. 

Seríamos todos os afetados pela Moda? Uns mais e outros menos dependendo do nível de interação com o advento?

Sabemos que o ambiente que os indivíduos estão inseridos diz e afeta tanto o corpo físico, político e na mente e remodela pensamentos  a um longo prazo, eu mesmo, tive meu primeiro Burnout  após uma série de acontecimentos ligados condições de empregabilidade após a faculdade por não entender meu não inclusão com mercado de trabalho, sendo que sempre fui apontado como um dos alunos mais promissores dentro da faculdade que me formei. Só encontrei a resposta em racismo estrutural, mas talvez esse seja um assunto para uma outra coluna.

Aprofundando na questão trabalhistas e ambiente de trabalho é de ciência coletiva  a insalubridade da mão de obra formada em suma parte feminina que retém as operações de oficinas de costura e chão de fábrica,  devoradas vivas (às vezes literalmente) para manter as engrenagens intactas. 

Mesmo a cobrança iniciada pela Geração Z e o aumento do comércio de roupas de segunda mão, não freou o consumo dos aglomerados de luxo que promete voltar a crescer já no primeiro semestre de 2022. 

Bem Silvério, mas como eu resolvo isso?

Creio que Miriam em sua declaração refere se às pessoas que não encarar seus medos de frente,  enxergar o  mundo de olhos abertos é a única forma de se manter ciente, pois entorpecer ou suprimir qualquer emoção também é contribuir para que o cenário não favorável a saúde mental continue. 

O mundo continua no divã, e nós mesmos continuamos (sobre)vivendo  de mãos dadas com nossos medos.  Expondo a fragilidade de nossas vidas, hoje ameaçadas por um vírus que pode ser eliminado com uso de álcool gel, a histeria coletiva e o isolamento fez com que voltássemos algumas casas no jogo da vida. 

Se conseguíssemos convergir todo o vetor influente contido na Moda em causas benéficas e adotando uma não monopolítica, quão rico seria a experiência humana? 

Não apenas para o planeta, mas já poderíamos estar conversando abertamente em esferas públicas sobre outros assuntos, ao invés de pautas de mais de 70 anos atrás?

Não digo que elas não têm que ser discutidas, mas o letramento não estaria estagnado na informação de base, se você é meu leitor, sabe que estou há um ano trabalhando nesse espaço para que avancemos sobre um pensamento decolonilista. 

Isso começa pela pessoa que você olha todos os dias no espelho, entendendo cada coluna de ar que flui pelos corredores da sua mente, entender como esse mecanismo funciona e o que é ou não bom, pode ser uma ilusão menos maléfica para nós mesmos dentro dessa matrix.

Criar fendas seguras para a incineração de preceitos que foram colocados em práticas, para a dissolução de questões enraizadas ao nosso subcontinente.

A abstenção é uma dádiva injusta, o silêncio contribui para o ambiente adverso a maior parte da população que não é hétero, branca e de gênero masculino.

Em meus estudos sobre minha próxima coleção me pus a estudar o perdão como metodologia de cura, e isso está intrinsecamente ligada à saúde mental. 

É um processo violento, intenso que muitas vezes parece que faz mais mal  do que exonera os pecados, mas para regenerar as células danadas, é preciso encarar as emoções amortecida pela pornografia emocional, jogar sal nas feridas e saber qual delas ainda pulsa e porque, sabemos que líderes de grandes empresas visam a integridade emocional do seus liderados a fim de conseguir extrair os melhores resultados lhe dando condições de desenvolvimento e de trabalho. 

A saída da inércia, e o conhecimento genuíno de nós mesmos e amplitude dessa consciência nos fará capazes de entender que tudo está ligado intrinsecamente, num equilíbrio delicado de forças opostas que devem se equilibrar, assim como corpo e mente.  Desmantelar a cultura de extrativismo, em instalar uma cultura de abundância, para uma abertura de mente para a realidades completamente fora da sua bolha.      

Sobre o autor:

Rafael SilvérioDesigner graduado em Desenho de Moda pela faculdade Santa Marcelina, pós graduado em Negócios Internacionais e Comércio Exterior. Guardião da Startup de Inovação Social VAMO ( Vetor Afro Indígena na Moda ) e colunista de Sustentabilidade no Instituto Fashion Revolution Brasil, Co Autor e Gestor de Marcas do Projeto Sankofa e criativo na marca que leva seu sobrenome, a Silvério.