Como começam nossas roupas? Saiba como o poliéster, algodão e viscose são produzidos

By Fashion Revolution

1 year ago

Os materiais têxteis são essenciais no cotidiano humano, fazem parte do início da cadeia produtiva da moda e são a matéria-prima da maioria das roupas que temos no mundo. Mais de 105 milhões de metros de tecidos foram produzidos em 2017, conforme dados do relatório da Textile Exchange, que ainda mostrou quais são as fibras mais utilizadas no mundo: políester e algodão.  Conheça seu processo produtivo:

O poliéster representa 60% do montante das fibras produzidas no mundo globalmente – um número que dobrou desde o ano 2000. Por definição química, é um polímero formado por vários ésteres; a principal reação que o produz é entre o álcool etilenodion e o ácido tereftálico. Essa reação origina o polímero politereftalato de etileno, comumente conhecido como PET e utilizado para fabricação de vários itens de plástico: garrafas, embalagens e têxteis.

Para a fabricação da fibra, utilizada nos artigos de vestuário, o poliéster entra em fusão com temperaturas de 253ºC a 259°C, até que se liquefaz. Este líquido é puxado por meio de uma extrusora, semelhante a um “chuveiro”, que determina o tamanho dos filamentos e os mantém alinhados continuamente. Depois, acontece um processo de torção que transforma esse filamento em fio. Sua produção utiliza recursos não renováveis: substâncias químicas extraídas do petróleo (bruto ou gás), além de consumir muita água em seus processos, e demora em média 400 anos para se decompor em condições naturais.


O algodão é uma das fibras mais antigas e utilizadas do mundo, que garante ao Brasil a posição de ser seu segundo maior exportador mundial e tem sua maior produção no centro-oeste.

É uma planta composta quase 100% de celulose e bastante resistente a seca – por isso seu cultivo em diversas regiões do mundo, principalmente em semiáridos. Quase tudo nele é aproveitado: caule, folhas e bagaço para a alimentação animal; caroço para produção de óleo; e pluma para a produção de fibras utilizadas em diversos segmentos têxteis. Atualmente, a maior parte é aplicada nestes artigos, incluindo o vestuário. Suas etapas de produção são: plantio, onde as sementes de algodão são plantadas enfileiradas em grandes lavouras, normalmente rotativas com a produção de soja ou milho, e florescem em mais ou menos 6 semanas; essa flor cai ou seca, dando origem ao chamado de “maça”, que é um bagaço onde acontece a maturação da pluma do algodão; depois de mais ou menos 70 dias, essa pluma está pronta para a colheita; nesta etapa muitos pesticidas e agrotóxicos são utilizados para manter o crescimento da planta; colheita, onde o algodão é colhido por meio de algum maquinário específico ou por pessoas; descaroçamento, pois na fase anterior outros tipos de folhas e plantas são recolhidas, então o algodão passa por uma fase de ‘limpeza’, onde esses rejeitos são separados da pluma do algodão em si; e distribuição, onde o algodão é transformado em fardo e transportado para as indústrias têxteis para ser fiado e depois tecido.


A viscose é um tecido em ascensão. Segundo o Textile Exchange, sua produção dobrou entre 1990 e 2018. Essa fibra tão comum no vestuário é na verdade química artificial, ou seja, sua matéria prima é natural mas passa por processos químicos na sua produção. No caso da viscose, essa matéria é a celulose – parede celular das plantas – extraída principalmente da polpa da madeira de árvores nativas.

Essa polpa é dissolvida e transformada em uma pasta que passa por processos de extrusão para se transformar em fibra e frio. Mesmo sendo proveniente de fonte renovável, a viscose apresenta muitas problemáticas na sua dinâmica. A madeira pode ser extraída de árvores desmatadas, o uso de água e energia na produção são exagerados e os químicos usados nos processos são altamente poluentes.

Diante desse cenário, vemos como cada matéria-prima apresenta sua complexidade. As fibras químicas tem suas problemáticas, mas as naturais também. Desde o consumo de terras, uso de agrotóxicos e pesticidas na plantação de algodão, passando pelos artifícios tóxicos usados na viscose, até o mundo de plástico que construímos com o poliéster.

Nessa dinâmica, o desafio é projetar novos sistemas e novas formas de gerar valor. Nosso convite é para você questionar sobre o que compõe suas roupas, de onde vêm e quem fez. Começando por nossos armários, podemos cuidar melhor daquilo que nos veste, fazer durar mais e entender seu lugar na longa cadeia da moda.